quarta-feira, 10 de maio de 2017

Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo (I Don't Feel at Home in This World Anymore)

"Já Não Me Sinto em Casa Nesse Mundo" (2017), estreia na direção de Macon Blair mistura drama, comédia, crime e suspense para contar a história de duas pessoas desajustadas que se unem e decidem fazer justiça com as próprias mãos. É um filme inteligente e com umas sacadas pertinentes sobre a vida e o como a vivemos, o ótimo título já diz a que veio.
Quando uma mulher deprimida é roubada, ela passa a viver com o propósito de rastrear os ladrões, ao lado de seu vizinho detestável. Porém, eles logo entendem que estão se envolvendo com um grupo perigoso de criminosos degenerados.
Ruth Kimke (Melanie Lynskey) é uma jovem auxiliar de enfermagem que se vê cada vez mais insatisfeita com as pessoas e com o modo como tudo funciona, as hipocrisias, o desrespeito e a falta de educação e gentilezas a fazem detestar essa realidade. Sua vida é pacata, solitária e está afundada em frustrações. Ruth presencia o cretinismo diário das pessoas, como furar fila, derrubar coisas no supermercado e não pegar, não dar preferência ao pedestre, coisas que acontecem todos os dias e que certamente o espectador se identificará e pensará no como tem agido. Ela expele suas indignações em muitos diálogos e apesar de ser engraçado reflete perfeitamente o funcionamento do cotidiano. 
Quando Ruth tem sua casa invadida e alguns pertences roubados sua postura muda, principalmente ao ver o descaso das autoridades, que pouco se dá o trabalho de procurar pistas para encontrar os bandidos. É aí que entra em cena seu excêntrico vizinho Tony (Elijah Wood) que compra a briga de Ruth e a ajudará a fazer justiça. É com bom humor e exageros que a busca pelos pertences e aos ladrões se desenrola, mas sem nunca perder o teor crítico, Ruth e Tony não medem consequências e a aventura ganha outros tons quando descobrem a identidade do ladrão e envolvem a família deste no meio. Elijah Wood como Tony em nenhum momento questiona Ruth, cai de imediato em seu plano e se apaixona, ele surpreende por sua desenvoltura com objetos de artes marciais e é dono das cenas mais engraçadas. Melanie Lynskey como a desajustada Ruth causa empatia logo de prima ao questionar o meio e o quão egoístas as pessoas são.

Sarcástico, reflexivo e violento, a trama faz questão de explorar o lado nonsense, a ebulição, a vingança desenfreada de dois seres deslocados e desiludidos com as pessoas. Já que a lei não funciona quando se precisa dela não importa mais nada, atos e consequências, a revolta atinge seu ápice.
A junção de drama existencial, humor negro, perseguição e um clímax violento surpreende e justamente por essa ousadia em não poupar estranhezas somos compelidos a pensar qual papel exercemos. Somos os cretinos ou os desajustados? E quem nunca pensou em fazer justiça com as próprias mãos? E sobre o exagero ou surrealidade do filme, a realidade não se difere muito, sendo exagerada e sem sentido na maior parte do tempo.

Um comentário:

  1. É um filme que está na minha lista.

    O ator Macon Blair é o protagonista do interessante "Ruína Azul" do diretor Jeremy Saulnier. Ele trabalhou também com o diretor no violento "Sala Verde".

    Acredito que Blair tenha aprendido muita coisa com Saulnier e utilizado como base neste seu trabalho com diretor.

    Abraço

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