sexta-feira, 7 de abril de 2017

Christine

"Christine" (2016) dirigido por Antônio Campos (Simon Assassino - 2012) é uma cinebiografia interessante e intrigante sobre Christine Chubbuck, uma ambiciosa e talentosa repórter de uma emissora local de televisão que entra em crise por frustrações profissionais e amorosas e toma uma decisão que os telespectadores em Sarasota, Flórida, jamais esquecerão, no dia 15 de julho de 1974, a jornalista cometeu suicídio ao vivo, durante o telejornal que apresentava. Acompanhamos a angústia tomando conta de Christine, vemos uma mulher completamente perturbada e focada em sua profissão, retraída e carente, defini-la é um trabalho árduo e conforme a história avança seu desespero toma proporções insuportáveis. É uma ótima produção, uma biografia curiosa e que causa um grande mal-estar.
É impressionante o como o filme surpreende, pois mesmo sabendo seu desfecho trágico somos absorvidos, a atuação de Rebecca Hall é o motivo de nos sugar para dentro da trama, seus trejeitos e olhares, uma composição de personagem arrebatadora, é preciso enaltecer seu desempenho, está perfeito e gera tensão perante a sua decaída psicológica, sentimos raiva dela em muitos momentos por ser tão neurótica, mas logo percebemos as injustiças e o como a emissora primava pelo sensacionalismo, coisa que Christine repudiava, suas matérias sempre tinham cunho social e não davam audiência, as cenas dela reclamando sobre isso são inúmeras. Ela tentou se comunicar com as pessoas, mas era em vão, ela passava uma imagem de chata e workaholic, sempre centrada não mantinha uma relação amistosa com ninguém, apenas George (Michael C. Hall), o âncora do jornal conseguiu chegar próximo devido a sua paixão platônica por ele, em determinado momento até parece que ele também sente algo a mais por ela, só que depois se vê que era preocupação, ele a enxergava e notava que não estava bem e cada vez se afundando mais e mais em suas neuroses.
Christine tinha uma personalidade complexa, era introspectiva, reprimida sexualmente, tinha problemas com a mãe, perfeccionista no trabalho, uma figura forte e ao mesmo tempo debilitada emocionalmente, vivia frustrada. O filme expõe toda essa fragilidade emocional de Christine de maneira sincera e crua, não há um pingo de sensacionalismo, o que o torna uma obra séria e coerente com toda a história de Christine.

A cena do suicídio é brusca, retratada de um jeito que causa desconforto, momentos antes na sala do diretor ela disse que aceitava os termos para poder apresentar o telejornal, ali evidenciava a desistência de si mesma, ela arquitetou tudo. Foi durante uma notícia a respeito de um tiroteio que havia acontecido em um restaurante da cidade no dia anterior, a fita com a filmagem emperra e a apresentadora diz algumas palavras para o público sobre gostarem de notícias violentas e sangrentas, e então fala: "Vocês estão prestes a ver a primeira tentativa de suicídio ao vivo e a cores". Em seguida, Christine pegou o revólver e atirou atrás de sua orelha direita. A apresentadora caiu violentamente sobre a mesa e a emissora saiu do ar colocando um filme logo após, ela chegou a ser levada para o hospital da cidade, mas foi declarada morta.
"Christine" é um filme que perturba e deixa um silêncio ao final, e tudo isso graças ao primor da direção de Antônio Campos e da atuação impecável de Rebecca Hall.

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