quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Margaret

Uma garota de 17 anos, estudante e moradora de Nova York, se sente angustiada por achar que, sem querer, desempenhou um papel em um acidente de trânsito que tirou a vida de uma mulher. Em suas tentativas para acertar as coisas ela encontra oposição a cada passo. Dilacerada pela frustração, ela começa a brutalizar emocionalmente sua família, seus amigos, seus professores e, acima de tudo, a si mesma. Inesperadamente, ela está sendo confrontada com uma verdade fundamental: que os seus ideais de juventude estão em rota de colisão contra as realidades e compromissos do mundo adulto.
Lisa Cohen (Anna Paquin) é uma adolescente revoltada, que tem problemas com a mãe (J. Smith-Cameron), uma atriz veterana de teatro. Solteira, ela tenta entender sua filha, mas sem grande sucesso. Lisa nunca passou por nada doloroso que a fizesse pensar em si, nos outros e em seu futuro, apenas vivia em seu mundinho, até que ela presencia um acidente que envolve um ônibus e uma pedestre. Por uma atitude idiota vinda dela, o motorista acabou se distraindo e passando o sinal vermelho atropelando a mulher, que em minutos morre, deixando a menina extremamente chocada. Daí por diante sua consciência se torna seu pior inimigo, o que dizer a polícia? Desesperada, de início acaba relatando que o motorista não ultrapassou o sinal vermelho, e que foi um acidente como tantos outros, pois de alguma forma ela pensou que aquele cara tinha uma família para sustentar, e a mulher estava morta e nada podia fazer em relação a isso. Porém, quanto mais o tempo passa, seus pensamentos vão mudando e ela acaba se afundando de vez nesta história.
Lisa faz parte daquele grupo de jovens que opinam sobre tudo e debate sem o menor constrangimento, sem se importar se está ferindo o colega ao lado com suas palavras ásperas, vemos acalorados debates em salas de aula, sobre diversos temas, sociologia, política, literatura. E para quem estiver se perguntando o porquê do título "Margaret", já que a personagem se chama Lisa, é por conta de um poema do qual é citado apenas uma vez no filme e que reflete exatamente o que a protagonista está passando.
O filme é um drama exacerbado, cheio de dúvidas, explosões, confusão, e às vezes nada, cenas que não querem dizer absolutamente nada, e isso o torna muito cansativo. Lisa não vê obstáculos para fazer justiça ao acontecido, a melhor amiga da mulher que morreu acompanha a jovem neste processo doloroso em que lutam para colocar o motorista vivido por Mark Ruffalo na cadeia, mas não é tão simples quanto pensam, pois Lisa omitiu os fatos nos primeiros depoimentos, o que já dificulta, e mesmo assim não há "motivos" suficientes para isso, o máximo que irão conseguir é uma indenização. O que a enfurece mais ainda, pois uma vida tirada não pode ser compensada por dinheiro. Lisa não compreende os fatos e se aborrece com tudo, e fica cada vez mais insuportável, trancada em si mesma, a relação com a mãe só se distancia mais e mais.

O filme caminha lentamente e vai mudando conforme o desenrolar. Os sentimentos são muitos, euforia, tristeza, desespero, egoísmo, angústia. Lisa está longe de ser uma menina boa, mas não podemos acusá-la, pois ela como qualquer adolescente em fase de afirmação age por impulso, e de certa forma ela amadureceu com o ocorrido, agindo certo ou errado, dando ênfase demais ou andando em círculos em outros momentos, a dor serviu-lhe para libertar e entender muitas coisas, principalmente repensar a relação com sua mãe, e a cena da ópera ao final nos mostra exatamente este recomeço.
Somos imperfeitos, na maioria das vezes egoístas, que quando queremos parar e ajudar, fazer justiça, parece tudo tão longe e fora do alcance. A vida é tão frágil e somos tão impotentes diante dela. "Margaret" é um filme inteligente e áspero, que mostra sentimentos intensos, tristes, mas realistas.

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