quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Mãe! (Mother!)

"Mãe!" (2017) escrito e dirigido por Darren Aronofsky (Cisne Negro - 2010) não é um simples suspense ou terror psicológico, é um filme complexo de muitas camadas que passeia por diversas metáforas e alegorias. Um obra grandiosa que disserta sobre religião, natureza, feminismo e tantos outros temas que se desnovelam ao decorrer e que cada espectador sentirá, absorverá e interpretará de uma forma, as questões são amplas e isso é algo maravilhoso, o poder de reflexão é imenso. 
Um casal vive recolhido no meio de um campo em um imenso casarão de estilo vitoriano. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções. 
O início começa com uma narrativa comum com uma esposa dedicada e submissa e um marido egocêntrico que vive um bloqueio criativo, enquanto ela conserta e se doa para manter a casa aconchegante, o marido só pensa em si. Essa rotina é quebrada quando um estranho visitante (Ed Harris) aparece e é acolhido sem nem ao menos a dona da casa ser consultada, a visita não é agradável e o desconforto dela aumenta quando bate a porta uma mulher (Michelle Pfeiffer), justamente a esposa deste que está em sua casa, e para sua surpresa ela é mais invasiva ainda. Ela não os deseja ali, mas os dois são colocados para dentro de sua casa e as situações vão se tornando cada vez mais constrangedoras e insustentáveis. A força da personagem de Lawrence é sugada pouco a pouco e isso nos atinge de maneira desconfortável, ela vai perdendo sua dignidade toda vez que é ignorada, que não é ouvida. Toda a perspectiva da história é passada através de sua personagem, sob o seu ponto de vista e por isso a câmera não desgruda dela, são enquadramentos claustrofóbicos e sequências angustiantes em que ela experimenta sensações e visões, essas que só são compreensíveis e encaixadas em seus momentos finais. 

O filme te captura inicialmente por uma narrativa aparentemente simples, mas a medida que avança o suspense com a invasão domiciliar o terror vai tomando conta, perturbando o espectador com cenas surreais, mas que vão se encaixando em metáforas e muitas possibilidades de interpretação. A segunda metade do filme é o caos total, a casa se torna um antro, os efeitos sonoros eclodem criando uma atmosfera enlouquecedora, a alegoria religiosa está bem delineada, a fé, a idolatria dos símbolos cristãos, a guerra, a destruição e o ciclo. O personagem de Javier Bardem representa Deus, vaidoso e egoísta, que necessita criar sua obra para ser amado e idolatrado, daí então conceber a vida, para isso necessita da Mãe, Jennifer Lawrence é a Casa, a Mãe Natureza. Ela cuida, se doa, se sacrifica. 

São várias as referências bíblicas do Gênesis ao Apocalipse, como "A Criação de Adão e Eva", "Expulsão do Paraíso", "Caim e Abel", "O Grande Dilúvio", "A Queda de Lúcifer", "A Crucificação de Jesus Cristo", "O Apocalipse", "A Nova Terra", mas o filme não se resume a esta representação e revela temas como opressão feminina, culto aos ídolos, narcisismo, natureza, feminilidade, moralismo; a relação entre o abuso do patriarcado à mulher ao tratamento que os humanos destinam à natureza.
Apesar de triste e até niilista há uma ponta de esperança, pois o novo nasce do caos e da mais profunda escuridão, surge a luz!. "Mãe!" é sádico e causa desconforto, são inúmeras metáforas visuais e a cada cena somos inseridos nesse universo amplo e onírico, é um filme que exige atenção e pede revisões, uma experiência cinematográfica intrigante, desesperadora e grandiosa. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Solitário Jim (Lonesome Jim)

"O Solitário Jim" (2005) dirigido pelo versátil ator Steve Buscemi, que também se sai maravilhosamente como diretor (Animal Factory - 2000), nos entrega um filme independente baseado no livro de James C. Strouse. A história é super singela, realista e disserta sobre frustrações, relações familiares, solidão e amor. 
Depois da frustrada tentativa de morar sozinho em Nova York, Jim (Casey Affleck) retorna à cidade natal, em Indiana, onde é forçado a voltar para a casa dos pais e dar de cara com a realidade que um dia o fez ir embora da cidade. Sua vida melhora um pouco quando conhece a enfermeira Anika (Liv Tyler) e seu filho. Jim, então, aprende lentamente como continuar seu caminho sem deixar todos para trás.
Jim retorna à casa de seus pais depois de se frustrar na cidade grande, sua postura niilista não ajuda na relação com os pais, tudo é muito estranho e forçado, ninguém é feliz naquela casa, mesmo a mãe o recebendo de braços abertos a situação é constrangedora, ele tem 29 anos e não conseguiu nada na vida, assim como seu irmão Tim (Kevin Corrigan) que também mora lá e sofre em se ver trabalhando na fábrica dos pais, ele tem duas filhas e treina um time de basquete de crianças que nunca pontua. O tom do filme é amargo, porém possui vários alívios cômicos, todos eles bem naturais e comuns. Jim é angustiado, nada o deixa animado, ele ama a sua família, mas não deseja estar perto deles, os seus sentimentos em relação a eles são contraditórios.
Vagando pela cidade de bar em bar, Jim conhece Anika, uma linda enfermeira que devagar vai trazendo cor a sua vida, ela também possui as suas tristezas e de pouquinho a pouquinho se apega a figura enigmática de Jim, que carrega em si a mesma aflição e desespero de grandes escritores, cujos livros são sobre gente triste com sonhos patéticos, como Virginia Woolf, Richard Yates, Burroughs, Sylvia Plath, Samuel Beckett, Dorothy Parker, Breece D'J Pancake e Hemingway. Ele tem essa alma inquieta e melancólica que busca e não compreende a tristeza que o consome, sente a insatisfação que a vida gera e as hipocrisias que a rodeia lhe dão ainda menos ânimo para seguir em frente, mas o fato dele não ter nada o faz persistir, na conversa que tem com o irmão sobre isso deixa claro que no lugar dele já teria se matado. A consequência desse diálogo se torna quase trágica.

O filme tem um tom pesaroso, o protagonista sempre está cabisbaixo refletindo sua vida, as suas frustrações, as dores que ele sente o espectador também sente, os dramas vividos por ele são tão humanos, tão comuns a qualquer pessoa, a difícil relação com a família, os sonhos quebrados, admitir que não há muito para si e enxergar o que já se tem. Jim está perdido e não tem perspectiva nenhuma, a volta à casa dos pais o faz se sentir ainda mais desolado, foi sua última alternativa simplesmente por não ter mais dinheiro. Mas, refletindo sobre tudo Jim sabe que foi muita inocência crer que os sonhos se realizam só porque se sonha e que ao aceitar as decepções as dores diminuem.

"O Solitário Jim" é um filme simples que abrange relacionamentos e mostra que nem sempre é preciso fugir para ter o que deseja, às vezes o que precisamos está perto e nem percebemos, damos as costas. Jim compreende que também precisa dar e não apenas receber amor, e é através de Anika e seu filho Ben que sente-se preenchido e por fim abre um sorriso sincero. Vale ressaltar a linda trilha sonora que acompanha Jim e suas descobertas existenciais.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Ingrid Goes West

"Ingrid Goes West" (2017) dirigido pelo estreante Matt Spicer é uma comédia de humor negro que retrata o fanatismo, o narcisismo, a solidão, a rejeição e a superficialidade que envolve as pessoas nas redes sociais, um retrato atualíssimo e que carrega uma crítica pulsante, não se engane pelos clichês utilizados, eles são totalmente propositais para causar desconforto, a comédia suaviza a crítica, rimos de muitas situações, mas ao mesmo tempo refletimos no quanto uma boa parte dos usuários das redes sociais estão viciados em publicar posts, ganhar likes, seguidores para então se tornar uma web celebrity, se discute esse vazio que necessita ser preenchido, porém a verdade é que faz o efeito contrário e as pessoas estão cada vez mais esvaziadas.  
Ingrid (Aubrey Plaza) é uma jovem que tem como seus principais ídolos as personalidades das redes sociais. A que ela mais gosta é Taylor Sloane (Elizabeth Olsen), muito famosa e com uma vida aparentemente perfeita. Obcecada, Ingrid decide abandonar tudo e se mudar para perto de Taylor, colocando em prática o plano de se tornar sua melhor amiga. Porém, o que parecia mais um comportamento de fã, se torna aos poucos preocupante e perigoso.
O início demonstra a total insanidade de Ingrid ao curtir todas as fotos de uma moça no Instagram, são hashtags e mais hashtags, ao ver que tudo o que ela posta é perfeito, as comidas, as roupas, as festas, Ingrid se sente pra baixo e deseja ser amiga dela, e no dia de seu casamento ela aparece e causa um transtorno, o resultado disso é que acaba internada algum tempo numa instituição. De volta à vida, Ingrid refaz seu perfil e do nada fica obcecada por uma outra personalidade, Taylor Sloane, que ganha dinheiro fazendo propagandas de marcas, restaurantes e afins, é uma enxurrada de postagens agradáveis e perfeitas, Ingrid que ao invés de viver a sua vida prefere ir até Venice Beach atrás desta "celebridade" com o dinheiro que sua mãe deixou de herança. Ingrid é uma exímia stalkeadora e dessa vez não falhará, seu inteligente plano envolve o cachorro de Sloane e de fato dá certo, ela consegue se aproximar e até formar uma amizade, viajam e ficam bêbadas juntas, tiram fotos, só que é como nas redes sociais, nada tem peso e significação para Taylor, e Ingrid logo é deixada de lado por uma outra "amizade" mais interessante.

Aubrey Plaza encarna com maestria uma personalidade totalmente desequilibrada que busca algo através de redes sociais, que necessita por meio desta se destacar dos demais, ela quer ser amada por seguidores, ter milhões de likes, ter sua vida baseada nessa mentira. A saciação que estas coisas produzem são efêmeras e não se pode viver apenas em função disso, é sedutora a ideia de ser idolatrado por qualquer bobagem que se faça, como é o caso da vida da personagem de Elizabeth Olsen, mas ao mesmo tempo que soa importante se desfaz com facilidade. É preciso ter consciência de que belas postagens, as tendências e comportamentos ditados não condizem com a vida real e não podem estar a frente da realidade. É aquela velha história, se usado com moderação e para agregar é mais que válido, mas quando entra na neura de ser somente isso e mais nada, a sanidade vai embora causando grandes dores emocionais.

"Ingrid Goes West" se disfarça de comédia, mas é um drama contemporâneo ao retratar que nada mais importa do que aparentar ser "cool" e conhecido nas redes sociais, o final é totalmente coerente e mostra que quanto mais imbecil ou perigosa a atitude filmada e postada mais popularidade e, por consequência, incentivo para a pessoa continuar a tentar preencher seu vazio e solidão. O lema é: Tudo em prol do status!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Fever Ray - Plunge (2017)

Fever Ray voltou!!! Após 8 anos de recesso Karin Dreijer Andersson lança "Plunge", um disco menos obscuro que o anterior, o homônimo e seu magnum opus: "Fever Ray", que se configurou entre os melhores do ano de 2009. Fever Ray surgiu como um projeto solo de Karin entre os espaços de sua banda principal, The Knife. Esta sua volta pegou os admiradores de surpresa com alguns vídeos de teaser indicando o retorno, e logo o estranho clipe "To The Moon And Back" estava disponível envolto em uma aura futurista e fetichista. O disco foi todo gravado em Estocolmo, no próprio estúdio de Dreijer, com parceria dos produtores Paula Temple, Deena Abdelwahed, NÍDIA, Tami T, Peder Mannerfelt e Johannes Berglund. Mas, todo o álbum é praticamente composto pela criatividade de Karin que nos presenteia novamente com músicas imersivas dentro do gênero da música eletrônica, as nuances são diversas e passeia pelo synthpop, trip hop até ao krautrock. Diferentemente do primeiro e inesquecível trabalho, "Plunge" está inserido mais num universo aberto, menos misterioso. O caos está presente, assim como o bizarro, mas a intensidade conversa com outros elementos, é mais expressivo e tem uma abordagem libertadora, dizendo sobre amor, sociedade e sexualidade.
As onze faixas produzem uma imersão completamente inquietante e excitante, ousada e transgressora, sem deixar também a densidade de lado mesclando dor e prazer. Fever Ray retorna com uma viagem estimulante, libidinosa e futurista, um mergulho louco no bizarro, a atmosfera prende e seduz, a cada música e a cada nova ouvida descobre-se nuances e ambientes a se explorar. Imperdível. Os fãs agradecem!

Teaser


O álbum está disponível nos serviços de streaming. Os formatos vinyl e CD chegam só a 23 Fevereiro de 2018 através da Rabid Records. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sámi Blood (Sameblod)

"Sámi Blood" (2016) dirigido pela estreante Amanda Kernell tem uma história forte que retrata o preconceito dos suecos em relação ao povo nômade da Lapônia, os Sámi. Considerados inferiores na escala da evolução, as crianças dessa etnia iam para uma escola específica, onde era proibido falar a língua nativa e qualquer coisa era motivo para humilhação e punição física, segundo os estudiosos da época, 1930, período que os conceitos da Eugenia ganhavam adeptos pelo mundo todo, povos considerados diferentes eram analisados, media-se o tamanho do crânio e a conclusão era sempre de que eram incapazes de pensar por si próprios. 
Elle Marja (Lene Cecilia Sparrok), de 14 anos, é uma menina indígena do povo Sámi que está sofrendo com o enorme preconceito de sua década, a de 1930. Ela acaba de ser removida à força de sua família e amigos e enviada para um internato do estado, tudo para que passasse de uma integração forçada em um sistema educacional que lhes ensina que seus costumes e estilos de vida indígena eram inferiores aos dos "homens brancos". Exposta ao racismo e a exames biológicos, ela passa a sonhar com outra vida. Para alcançá-la, a jovem tem que se tornar outra pessoa e cortar todos os laços com sua família e sua cultura.
O início nos mostra Elle Marja voltando para a sua terra natal para o velório de sua irmã, seu semblante austero indica que ela não se considera como parte daquilo e faz questão de não participar das festividades, como a marcação das renas, ela deseja ir embora o mais rápido possível, o passado é doloroso, a questão de pertencimento pesa em seus ombros. Ao regressar para seu hotel ela começa a refletir e assim nos envolver em sua vida nos fazendo compreender o porquê de tanta mágoa. Voltamos no tempo junto dela e primeiro adentramos à sua comunidade que vive em cabanas e pastoreia renas, depois que seu pai morre ela e sua irmã são mandadas para um internato a fim de que tenha o básico como estudo e, principalmente, aprender a língua sueca e saber que seus costumes e tudo o que envolve o povo Sámi é inferior. Muito inteligente e decidida, Elle Marja quer ser professora, se empenha para isso mesmo que as humilhações a acompanhe, a relação dela com a irmã é doce e vemos muitos momentos lindos nesse início, como quando fazem joik, um canto tradicional.

O estopim para que Elle Marja queira mudar de identidade é quando estudiosos vão à escola e sem dizer uma palavra começam a medi-la por inteira, ela não suporta a ideia de que sua vida se baseie em cuidar de renas e de que o preconceito limite sua vida, Elle Marja almeja fugir para Uppsala, na Suécia, para estudar e se tornar professora. Quando parte recorre a Niklas, um jovem que conheceu em uma festa, mas os pais dele a expulsam no dia seguinte declarando todo o preconceito, então acaba indo parar num colégio e se abriga por alguns dias, só que para ela continuar ali precisa de uma boa quantia de dinheiro, e vendo que é isso que quer precisa voltar para sua comunidade, pedir a quantia para sua mãe que Elle Marja tem como parte da herança que seu pai deixou. A partir desse momento a garota rompe com todas as suas origens, para sobreviver e ter o que deseja elimina qualquer resquício de sua identidade Sámi.

"Sámi Blood" é um drama belíssimo e intenso que retrata a discriminação em relação aos lapões, a nossa protagonista sofre e sente que para seguir adiante precisa se livrar de sua cultura, o que mais tarde lhe gera as dúvidas sobre pertencimento, horrível ter que perder sua identidade, odiar suas raízes por puro e descabido preconceito dos que pensam ser superiores.
Para se enquadrar na sociedade dominante muitos povos perdem os laços de sua rica cultura e, que infelizmente, cada vez mais vão se extinguindo por conta de não haver respeito étnico. É um importante retrato para que, talvez, haja um resgate desta e de tantas outras culturas espalhadas pelo mundo.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

22 Filmes de Bruxas (Witch Movies)

Em comemoração ao Halloween, segue uma lista caprichada de filmes com Bruxas, todos excelentes em suas histórias sombrias, misteriosas, sedutoras e também críticas.

"As bruxas em geral são assim. Não estão jamais interessadas nas coisas ou nas pessoas, mas na utilidade eventual destas." (As Crônicas de Nárnia)

22- "A Máscara de Satã" (La Maschera del Demonio - 1960) de Mario Bava
Na Idade Média, a princesa Ada (Barbara Steele), acusada de bruxaria e práticas de vampirismo, é condenada a uma morte terrível: inquisidores cruéis cravam em sua face uma máscara amaldiçoada repleta de lâminas pontiagudas (a máscara do demônio, naturalmente). Mas antes que eles o façam, a bruxa ameaça a todos e promete voltar para se vingar e dar continuidade a seu legado de sangue e horror... E ela voltará...

21- "A Filha de Satã" (Night of the Eagle - 1962) de Sidney Hayers
Cético professor universitário é contrariado pela crença de sua esposa na feitiçaria, prática que conheceu em uma viagem à Jamaica. Ele tenta convencê-la a abrir mão disto, mas a mulher está cada vez mais obcecada em arrodeá-lo de amuletos e outros aparatos de magia para que tenha sucesso profissional.

20- "O Uivo da Bruxa" (Cry of the Banshee - 1970) de Gordon Hessler
Na Inglaterra do século XVI, o obsessivo magistrado Lorde Edward Whitman empenha-se em erradicar a prática de bruxaria de uma região rural. Sua mulher teme que a família esteja amaldiçoada e se comporta como uma louca, só sendo acalmada pelo seu cavalariço Roderick, que também é amante da filha do Lorde, Maureen.
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19- "O Martelo das Bruxas" (Kladivo na Čarodějnice - 1970) de Otakar Vávra
A história do filme é baseada no livro de Václav Kaplicky, Kladivo na Čarodějnice (O Martelo das Bruxas, 1963), um romance sobre julgamentos de bruxas no norte da Morávia durante a década de 1670. As imagens são de um preto e branco alegórico e cheias de símbolos. Tudo começa com uma ação trivial de uma pobre velha, que desemboca numa espiral de acusações, mergulhando a comunidade no caos total.

18- "O Espelho da Bruxa" (El Espejo de La Bruja - 1962) de Chano Urueta
Elena é avisada por sua madrinha bruxa Sara que domina a magia negra e a arte do espelho de que será assassinada por seu marido, mas a jovem acredita ser muito amada. Adonay que é o demônio chefe de Sara previne que é melhor que o destino aconteça e não interfira. Elena acaba morrendo. A bruxa tem o espelho que possibilita muitas visões, inclusive falar com Elena que está no caixão e promete vingança. O viúvo se casa novamente e passa a presenciar estranhos fenômenos na casa como flores murchando repentinamente no vaso, o piano que toca sozinho até que sua nova esposa acaba sofrendo sérias queimaduras e o marido tomará decisões radicais pra ajudá-la, mas a bruxa estará preparada para a vingança derradeira.Não é uma história de bruxa má, mas uma bruxa que busca justiça.

17- "Olhos De Fogo" (Eyes of Fire - 1983) de Avery Crounse
Um grupo de pioneiros do oeste americano se depara com estranhos acontecimentos noturnos numa floresta. Uma misteriosa garota conhece os segredos desses sinistros acontecimentos e o mundo ao qual pertencem e pede aos invasores que abandonem a floresta. Só as forças da noite tem a resposta para algumas perguntas.

16- "A Iniciação de Sarah" (The Initiation of Sarah - 1978) de Robert Day 
Filme feito para a TV sobre uma jovem que tem poderes telepáticos, e que ao ser rejeitada por todas de uma irmandade, junta-se a uma professora que mexe com bruxaria, para se vingar da humilhação pela qual passou.

15- "Baba Yaga" (1973) de Corrado Farina


Valentina, uma fotógrafa de moda, em circunstâncias estranhas conhece uma mulher, que se apresentou como Baba Yaga. Esta senhora não é jovem e dá a Valentina uma boneca que pode vir à vida. Ela usa a câmera e o homem fotografado cai morto. Valentina se torna dependente de Baba Yaga. Livre do cativeiro do glamour tenta conseguir seu amante Arnaud.

14- "Superstição" (Superstition - 1982) de James W. Roberson
Uma família se muda para um casarão no interior de Mill Road, ao lado de um grande lago. Não demoram a descobrir que o lago foi o local da execução por afogamento de uma bruxa, 300 anos antes, e ela está de volta para concretizar sua vingança.

13- "Dark Waters" (Temnye Vody - 1993) de Mariano Baino
A jovem Elizabeth chega a um convento localizado numa ilha para tentar saber mais sobre seu passado. O local é quase medieval: não tem eletricidade e as freiras vivem em completo isolamento. Ela espera encontrar uma amiga que vive lá, mas logo descobre que a moça morreu e que o lugar vive às voltas com um mistério envolvendo um antigo amuleto.

12- "Jovens Bruxas" (The Craft - 1996) de Andrew Fleming 
Uma jovem (Robin Tunney) se muda de São Francisco para Los Angeles para começar uma nova vida. Lá conhece três alunas do colégio onde estuda que se dedicam ao ocultismo e à magia (tanto que têm a fama de bruxas entre seus colegas). Quando as quatro fazem amizade e começam a praticar magia juntas, desencadeiam um poder que foge do controle, gerando trágicas consequências.

11- "As Bruxas de Salém" (The Crucible - 1996) de Nicholas Hytner
Em Salem, Massachusetts, 1692, algumas jovens fazem "feitiços". Uma delas, Abigail Williams (Winona Ryder), tinha se envolvido com seu patrão John Proctor (Daniel Day-Lewis), mas após o fim do caso foi despedida. Assim, desejava a morte de Elizabeth Proctor (Joan Allen), a esposa deste. Elas são descobertas no seu "ritual" e, acusadas de bruxaria, provocam uma histeria coletiva que atinge várias pessoas, sendo que Abby, a jovem desprezada por John, faz várias acusações até ver Elizabeth ser atingida.

10- "Da Magia à Sedução" (Practical Magic - 1998) de Griffin Dunne
"Jogue sempre sal sobre seu ombro esquerdo, tenha alecrim no seu jardim, plante alfazema para dar sorte e apaixone-se sempre que puder."
Duas irmãs descendentes de feiticeiras tentam levar uma vida normal, mas sofrem com uma maldição que diz que todo homem que se apaixona por uma integrante de sua família é levado à morte. Com Sandra Bullock, Nicole Kidman, Aidan Quinn, Stockard Channing e Dianne Wiest.

09- "Elvira - A Rainha das Trevas" (Elvira, Mistress of the Dark - 1988) de James Signorelli
Elvira (Cassandra Peterson) é a anfitriã de um programa de baixo orçamento sobre filmes de terror, mas tudo pode mudar quando ela herda da tia Morgana (Cassandra Peterson) uma velha mansão em Fallwell, Massachusetts, uma pequena cidade com apenas 1313 habitantes. Ela sonha em vender a casa e ir para Las Vegas, mas encontra dois sérios problemas: o primeiro são os adultos da cidade, que ficam espantados com o modo de como ela se veste e se comporta. Liderados por Chastity Pariah (Edie McClurg), eles fazem forte oposição à presença de Elvira na localidade. O segundo problema é Vincent Talbot (William Morgan Sheppard), um tio de Elvira que não herdou nada, mas deseja obter de qualquer maneira um "livro de receitas" que também foi herdado por Elvira, que dará a ele imensos poderes para fazer diversos tipos de bruxarias.

08- "A Convenção das Bruxas" (The Witches - 1990) de Nicolas Roeg
Após a morte do pai, Luke (Jasen Fisher), 10 anos, é levado por sua avó (Mai Zetterling) para um hotel na Inglaterra. Lá o garoto descobre que um grupo de bruxas está fazendo uma convenção e que pretendem transformar todas as crianças do mundo em ratos. Descoberto, ele acaba virando um roedor junto com outro garoto, mas não desiste de parar o plano da senhorita Eva Ernst (Anjelica Huston), a líder da convenção das bruxas.

07- "O Serviço de Entregas da Kiki" (Majo no Takkyuubin - 1989) de Hayao Miyazaki
Kiki é uma jovem bruxa que acabou de completar 13 anos. Segundo a tradição, quando atingem essa idade, todas as bruxas devem sair de casa por um ano para aprender a viver por conta própria. Ela se muda para a cidade de Korico, junto com Jiji, seu gato falante. Lá ela aprende a seguir em frente com sua vida, apesar de todas as dificuldades que possam surgir.

06- "Suspiria" (1977) de Dario Argento
Susan (Jessica Harper) é uma jovem americana que viaja para a Europa para estudar numa prestigiada escola de Balé. Desde o primeiro dia, porém, ela começa a se assustar com estranhas situações que ocorrem no local que a fazem crer que há bruxas por todas as partes.

05- "As Bruxas de Zugarramurdi" (Las Brujas de Zugarramurdi - 2013) de Álex de la Iglesia
Baseado num caso real ocorrido em Logronõ em 1610, quando a Inquisição queimou 40 habitantes, acusados de serem bruxas de Zugarramurdi, o filme conta a história de José (Hugo Silva), um pai divorciado, e um jovem desempregado, Antonio (Mario Casas), que assaltam uma ourivesaria em Madrid. Posteriormente eles tentam fugir para França num táxi, contudo esta viagem começa a correr mal quando mergulham nos bosques do País Basco, e acabam nas mãos de uma família de bruxas, com três gerações .

04- "A Bruxa do Meio-Dia" (Polednice - 2016) de Jirií Sadek
Em meio a um verão não usual, Eliška (Anna Geislerová) se muda com a filha Karolínka de volta para o vilarejo de onde o seu marido é nativo. O retorno deles está associado com um mistério que todos parecem estar cientes, menos a menina. O calor torna-se cada vez mais insuportável e as tensões aumentam. Karolínka começa a perceber as coisas, pois sua mãe está cada vez mais evasiva e preocupada. O medo permeia tudo e os fantasmas passam a se movimentar, sejam eles reais ou não.

03- "The Love Witch" (2016) de Anna Biller
Elaine (Samantha Robinson) é uma jovem bruxa que está determinada a encontrar o homem de sua vida. Ela leva homens para sua casa e faz magias e poções a fim de seduzi-los. Tudo funciona bem, mas ela acaba com uma série de vítimas infelizes. Quando ela finalmente encontra o homem de seus sonhos, seu desespero para ser amada a torna insana. É delicioso, nostálgico, lindo esteticamente, crítico e carrega um humor satírico. O interessante é a mescla de fragilidade e força que a personagem carrega, o que nos faz refletir e muito sobre feminilidade, gênero e etc. Saiba+

02- "A Bruxa" (The Witch - 2015) de Robert Eggers
Nova Inglaterra, ano de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando à beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém-nascido deles desaparece e a colheita falha, a família se transforma em outra. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

01- "Haxan - A Feitiçaria Através dos Tempos" (Häxan - 1922) de Benjamin Christensen 
Häxan documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras numa Europa atravessada pela intolerância religiosa. O filme é narrado em primeira pessoa, como se o diretor desejasse demonstrar uma tese, assim enunciada: “A crença nos maus espíritos, feitiçaria e bruxaria é o resultado de ingênuas noções sobre o mistério do universo”. Torturas, possessões e rituais de Sabá são aqui dramatizados numa narrativa de docudrama, ilustrando uma série de analogias entre o mundo moderno e o período da Inquisição. Obra-prima do cinema fantástico, realizado numa época em que não havia censura. São visíveis as influências pictóricas de Hieronymus Bosch e Bruegel. O virtuosismo de Häxan acabou influenciando Carl Dreyer em "A Paixão de Joana D'Arc".

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Rastros (Pokot)

"Rastros" (2017) dirigido por Agnieszka Holland (Na Escuridão - 2011) é um filme que explora um tema bastante pertinente, a caça dos animais e o especismo, uma história com clima soturno, ritmo lento e uma majestosa interpretação de Agnieszka Mandat-Grabka.
Em uma densa noite de inverno, a astróloga e vegetariana Janina Duszejko (Agnieszka Mandat-Grabka) acaba encontrando o corpo de um de seus vizinhos, em condição deplorável. Os únicos vestígios da morte são alguns cervos mortos, provavelmente pelo vizinho, que é caçador. Mas o mistério começa de verdade quando, inesperadamente, outros caçadores da região começam a aparecer mortos nas mesmas condições.
Somos apresentados a uma senhora que mora sozinha no meio da floresta entre a Polônia e a Rep. Tcheca com suas duas adoráveis cadelas, apesar de aposentada leciona inglês para crianças, defensora dos animais vai contra os homens da aldeia próxima que vão assassiná-los, principalmente fora da época predeterminada para cada espécie, o que mais pra frente ela questiona também, é tida como uma velha louca e ninguém se preocupa, incontáveis vezes ela se queixa para as autoridades, mas nada acontece, ali há um elo entre os donos do dinheiro, políticos, os homens estão todos interligados de alguma maneira, seja por negócios ou pela caça. A primeira morte acontece e é um grande mistério, tudo leva a crer que seja um animal, outras mortes se sucedem e novamente a cena leva a crer nisto. Porém, há grandes indícios de vingança humana, alguns personagens entram na trama e dúvidas surgem, só que há pouca ênfase neles e a movimentação da protagonista acaba revelando o que está acontecendo. O suspense é fraco e não segura o mistério, mas mesmo assim é uma história interessante que questiona vários aspectos do ser humano em relação aos animais. 
É um eco-thriller que mescla alguns gêneros e instiga por sua crítica, a bela paisagem, a presença dos animais contribuem para um filme de atmosfera densa e que promove diversos pensamentos, nosso olhar para com a vida animal e a natureza, o quanto o ser humano se acha no direito de sacrificá-la para satisfazer seu ego, a religião também entra em cena com a figura de um padre que destila preconceito e se baseia nas escrituras para dar razão a todas as atitudes dos homens, há um diálogo que ele diz que os animais devem se submeter ao homem, "Deus fez os animais para serem sujeitos aos homens", um tanto hipócrita para quem crê em uma fé que prega justamente o amor ao próximo, neste momento a câmera cola na boca do padre, um artificio sensacional que marca os instantes em que os personagens expõem suas ignorâncias, ora dando super closes nos olhos, ora nos lábios enquanto destilam preconceitos e hostilidade. A senhora Duszejko é a única mulher ali e se sobrepõe, mas é dada como louca, ela não mede esforços para salvar os animais, só que sofre consequências, como o sumiço de suas cadelas. No decorrer ela cria vínculo com uma moça (Dobra Nowina) que trabalha em uma loja e mantém um relacionamento abusivo com um desses caçadores e um jovem (Jakub Gierszal) que trabalha com informática. 

Duszejko é apreciadora e pesquisadora de astrologia e determina sua vida com base nisso, adora fazer mapa astral de todos que conhece e assim ajuda-nos a conhecê-los também, já que a trama prioriza o foco nesta forte e decidida senhora, o filme tem um poder de crítica bastante interessante em relação aos maus-tratos animais, o descaso com a vida selvagem ao retratar a vulnerabilidade e a dificuldade dos bichos em viver em seu próprio habitat, os caçadores são amparados por uma lei que não pune e nem sequer liga para esses animais que são destruídos, e é uma cadeia de eventos quando eles são mortos, toda a natureza sofre as consequências, por exemplo, correndo o risco de animais endêmicos serem aniquilados. Outro ponto é a figura dessa mulher que luta e vai atrás de ajudar o ecossistema contra estas atrocidades, por isso também é uma obra feminista, assim como os animais a mulher não tem voz perante esta sociedade machista e ignorante. 

A figura do biólogo Boros (Miroslav Krobot) que Duszejko encontra nos dá muita noção do que acontece aos seres mais invisíveis, como os insetos, quando ocorre o descontrole na natureza devido a maldade humana, o que nos faz ter imensa empatia por essa dupla e imaginar que de fato esses animais poderiam se vingar da raça humana, que tanto mata e destrói aquilo que é justamente precioso por pura ganância e prazer, ou gula. Aonde então está a racionalidade sendo que muitas das atitudes são vis e desprezíveis? O Homem se acha superior aos animais por crer que é racional, quando na verdade age por puro egoísmo e instinto, não existe empatia e sensibilidade, a indiferença predomina.
"Rastros" é um alerta, um filme crítico e reflete por que matar um de nossa espécie é considerado assassinato e um de outra espécie não. O preconceito, o especismo grita neste longa e faz nos sentir mal, portanto, por mais que a história seja previsível e tenha alguns defeitos em relação a desenvolvimentos de outros personagens, é impecável na exposição da mensagem, o clamor da vida animal por mais conscientização sobre os seus direitos. 
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